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Streptococcus agalactiae Grupo B, Cultura Seletiva

Em mulheres grávidas o Streptococus grupo B pode causar infecção clínica, sendo na grande maioria uma colonização assintomática. Estudos revelam que recém-nascidos de mulheres colonizadas durante a gestação apresenta risco 25 vezes maior de ter sepse neonatal por Strep- tococus grupo B. Desta maneira, o teste está indicado para toda gestante no período entre 35 e 37 semanas de gestação como teste de triagem, feito por meio de cultura seletiva de swab vaginal e anal. Esta detecção torna-se importante para realização de antibioticoprofilaxia intraparto, prevenindo uma possível infecção do recém-nato.

O n-Hexano é um hidrocarboneto amplamente utilizado em diversos processos industriais como solvente orgânico na preparação de tintas, colas, extração de óleos vegetais, bem como diluente na produção de plásticos e borrachas, entre outras aplicações. Após o processo de biotransformação, o principal produto excretado na urina de indivíduos expostos ocupacionalmente ao n-hexano é a 2,5 hexanodiona. O n-hexano é prontamente absorvido por qualquer via, mas a intoxicação comumente ocorre pela inalação de seus vapores nas exposições ocupacionais ou quando é usado como droga de abuso. Pode produzir neuropatia periférica, e nas intoxicações graves: fraqueza, perda de peso, anorexia e cãibras nas extremidades dos músculos inferiores

São utilizados para o diagnóstico da Miastenia Gravis (MG). Existem três tipos de anticorpos anti-receptor de acetilcolina: ligadores, bloquedores e moduladores. Os dois primeiros devem ser utilizados na avaliação dos pacientes com suspeita de MG, pois estão presentes em 99,6% dos pacientes que possuem anticorpos anti-receptor de acetilcolina.

Devem ser solicitados quando há alta probabilidade de miastenia gravis e ausência de anticorpos ligadores e bloqueadores do receptor de acetilcolina.

A acetona é usada principalmente como solvente. Apresenta-se como líquido volátil e de odor característico. A absorção ocorre pelas vias inalatória, oral e cutânea.

Níveis elevados de acetona podem ser encontrados na exposição ocupacional à acetona e ao isopropanol, na cetoacidose diabética e no jejum prolongado. Na exposição ocupacional à acetona, cerca de 70% da concentração inalada é rapidamente absorvida pelo trato respiratório. Apresenta efeitos tóxicos sobre o sistema nervoso central, além de causar broncoespasmo, bradicardia e hipotermia.

Na ingestão, observam-se vômitos e diarreia. Podem ocorrer ainda, ataxia, irritação cutânea, depressão, intensa acidose, icterícia e tosse.

Pode ocorrer elevação da acetona no sangue dos pacientes em uso de propranolol, ácido ascórbico, levodopa, ácido valproico, fenilcetonas, pyridium e n-acetilcisteína, entre outros.

A determinação da concentração urinária de ácido 2-tio-tiazolidina (TTCA) é utilizada para a monitorização biológica da exposição ocupacional a dissulfeto de carbono. A ingestão de vegetais crucíferos ou brássicas, como repolho, brócolis, couve, couve-flor e nabo, pode elevar os níveis urinários de TTCA.

O 5-HIAA é o principal metabólito da serotonina, sendo excretado na urina e utilizado no diagnóstico e monitorização de tumores carcinoides (tumores neuroendócrinos que se originam principalmente nos tratos respiratórios e gastrintestinais). Normalmente, 1% a 3% do triptofano da dieta é metabolizado em serotonina. Entretanto, em pacientes com tumores carcinoides intestinais, essa conversão chega até a 60%.

Alimentos ricos em serotonina devem ser evitados antes e durante a coleta, tais como abacate, ameixa, banana, abacaxi, kiwi, melão, tâmara, beringela, picles, nozes e tomate. Alguns medicamentos também podem interferir no resultado do exame e são método-dependentes: levodopa, imipramina, ácido di-hidrofenilacético, metildopa, anti- depressivo IMAO, morfina, acetaminofeno, ácido acético, salicilatos, formaldeído, isoniazida, fenotiazinas, reserpina, xaropes com gliceril- guaicolato e naproxeno.

As concentrações do 5-HIAA podem estar normais em pacientes com tumores carcinoides não metastáticos ou com síndrome carcinoide parti- cularmente sem a presença de diarreia. Alguns pacientes com síndrome carcinoide excretam ácidos indólicos não hidroxilados que não são medidos pelo teste do 5-HIAA. Pacientes com doença renal podem ter níveis falsamente baixos de 5-HIAA.

O 5-HIAA encontra-se aumentado nos pacientes com má-absorção que possuem níveis aumentados de metabólitos urinários do triptofano (doença celíaca, espru tropical, Doença de Whipple, fibrose cística, etc.), em pacientes com obstrução crônica do trato intestinal e alguns pacientes com tumores de ilhota não carcinoides.

Seus níveis exibem uma correlação ruim com a gravidade da doença. Níveis aumentados são observados, também, na gravidez, ovulação e estresse.

Importante na avaliação da calculose urinária. O citrato inibe a formação de cálculos urinários por formar complexos solúveis com cálcio. Baixas concentrações de citrato urinário são consideradas fator de risco para a formação da calculose.

Alguns distúrbios metabólicos, com reduções do pH intracelular (ex. acidose metabólica, aumento da ingestão de ácidos, hipocalemia ou hipomagnesemia) e lesões tubulares renais, estão associados às baixas concentrações. O consumo excessivo de proteína e dieta rica em sódio também são causas de hipocitratúria..

A hipocitratúria pode ocorrer de forma isolada ou associada à hipercalciúria, hiperuricosúria, hiperoxalúria e distúrbios intestinais. O citrato administrado via oral, leva a um aumento na reabsorção tubular renal de cálcio, promovendo hipocalciúria. A elevação do pH urinário, que acompanha a administração de citrato, aumenta a solubilização do ácido úrico. A suplementação de citrato reduz a taxa de formação de novos cálculos e o crescimento dos cálculos já existentes.

O ácido cítrico é produzido pela próstata e está ligado ao processo de coagulação e liquefação do esperma. Níveis baixos de ácido cítrico correlacionam-se com liquefação parcial ou ausente. Os níveis estão reduzidos em casos de prostatites.

A norma brasileira adota o ácido delta aminolevulínico urinário (ALA-U) como indicador biológico para a vigilância de trabalhadores expostos ao chumbo e recomenda iniciar as avaliações biológicas no mínimo um mês após o início da exposição. A ação nociva do chumbo no organismo é precocemente revelada pelos sinais decorrentes da alteração na síntese do heme, causada pela inibição de algumas enzimas envolvidas neste processo. A ligação do metal à enzima ácido aminolevulínico desidratase (ALA-D) provoca o acúmulo do ácido delta aminolevulínico (ALA) no sangue e na urina. Deste modo, a determinação da concentração do ácido delta aminolevulínico urinário(ALA-U) tem sido proposta para o monitoramento da exposição ocupacional ao chumbo, paralelamente aos níveis do metal no sangue (Pb-S).

A determinação dos ácidos mandélico e fenilglioxílico é realizada para a monitorização biológica de trabalhadores expostos a estireno. Níveis elevados destes metabólitos na urina indicam exposição ocupacional excessiva ao composto.

O estireno possui ação irritante na pele e mucosa e apresenta neurotoxicidade central e periférica, além de ser hepatotóxico e carcinogênico.

A relação Ácido Mandélico/Ácido Fenilglioxílico varia com a concentração ambiental, sendo maior em concentrações mais elevadas de estireno.

O ácido fólico atua na maturação das hemácias e participa do processo de síntese das purinas e pirimidinas, componentes dos ácidos nucleicos. Aproximadamente 20% do ácido fólico absorvido diariamente são provenientes de fontes dietéticas, o restante é sintetizado por microrganismos intestinais.

Seus níveis séricos caem poucos dias após redução de sua ingesta alimentar e podem ser baixos mesmo com estoques teciduais normais. Os níveis de ácido fólico nas hemácias são menos sujeitos a mudanças dietéticas recentes.

A deficiência do ácido fólico é quase sempre consequência de ingestão insuficiente e está presente em cerca de um terço das mulheres grávidas, na maioria dos alcoólatras crônicos, nas pessoas que cumprem dietas pobres em frutas e vegetais e nas pessoas com distúrbios absortivos do intestino delgado. Outras causas de baixas concentrações de folato sérico são doenças hepáticas, anemias hemolíticas, neoplasias e alguns erros inatos do metabolismo. Sua concentração pode estar reduzida com o uso de contraceptivo oral. O folato deteriora-se quando exposto à luz e pode estar falsamente elevado em casos de hemólise. Flutuações significantes ocorrem com a dieta e pode resultar num folato sérico normal em um paciente deficiente. Deficiência grave de ferro pode mascarar a deficiência do folato. A determinação de níveis baixos de ácido fólico nas hemácias indica ou uma deficiência verdadeira de ácido fólico, ou uma deficiência de vitamina B12, que é necessária para a penetração tecidual do folato.

A concentração de ácido fólico nas hemácias é considerada o indicador mais seguro do status do folato, pois ele é muito mais concentrado nas hemácias do que no soro. Podem-se encontrar valores elevados de folato sérico e hemático no hipertireoidismo.

O tolueno é um hidrocarboneto aromático com origem e produção nas indústrias petroquímica e siderúrgica. É um solvente com inúmeras aplicações na indústria, sendo constituinte importante na produção de resinas, tintas, tíner, colas, carvão, solvente para óleos, borracha natural e sintética. O tolueno está presente na gasolina e é lançado no meio ambiente como contaminante. Além disso é, o mais importante constituinte dos vapores de solventes utilizados como “inalantes” por usuários de drogas. No setor químico, o tolueno é matéria-prima para a síntese orgânica de fármacos, vinil tolueno, tolueno diisocianato, trinitrotolueno, antioxidantes, cloreto de benzoato, sacarina, cloramina T, entre outros.

O ácido hipúrico é o principal metabólito urinário do tolueno e é o indicador biológico de dose interna mais utilizado no Brasil. Sua concentra- ção na urina coletada ao final da jornada de trabalho correlaciona-se com a exposição média no dia, quando avaliada em grupos de trabalhadores.

O ácido homogentísico é um intermediário no metabolismo da tirosina. Na alcaptonúria, há acúmulo desse ácido devido a um defeito na enzima homogentisato dioxidase, que é expressa principalmente no fígado e nos rins. Devido ao fato de o ácido homogentísico ser um agente redutor muito forte, ele pode ser detectado na urina utilizando reações de oxirredução que produzem produtos coloridos. São interferentes nesse exame: uso de medicamentos como aspirina, L-dopa e ácido ascórbico, além de altas concentrações de cetona e creatinina na urina.

O ácido homovanílico (HVA) é o principal metabólito terminal da dopamina e encontra-se tipicamente elevado em pacientes com tumores secretores de catecolaminas (neuroblastoma, feocromocitoma e outros tumores da crista neural). Sua excreção pode ser intermitente.

Tem utilidade no rastreamento de tumores secretores de catecolaminas – particularmente em crianças, na monitorização terapêutica do neuroblastoma e no rastreamento de pacientes com possíveis erros inatos do metabolismo das catecolaminas, onde o HVA pode estar aumentado ou reduzido dependendo da deficiência enzimática.

Cerca de 95% dos pacientes com neuroblastoma apresentam níveis elevados de HVA e/ou ácido vanilmandélico (VMA), os quais devem ser solicitados em conjunto. Níveis elevados também são encontrados no feocromocitoma, ganglioneuroblastoma, uso de L-Dopa e deficiência da dopamina beta-hidroxilase, como ocorre na Síndrome de Riley-Day.

Níveis reduzidos de HVA podem sugerir deficiência da monoamino-oxidase A.

Aproximadamente 20% dos pacientes com elevação do HVA não têm neuroblastoma. Concentrações podem sofrer interferências de alguns alimentos, tabaco, álcool etílico e medicamentos (descongestionan- tes nasais, broncodilatadores, metildopa, tetraciclina, cloropromazina, quinidina, aspirina, dissulfiram, reserpina, piridoxina e levodopa).

Intermediário do metabolismo dos carboidratos, sendo o principal metabólito do glicogênio, em anaerobiose.

Valores elevados são encontrados em situações de hipóxia (choque, hipovolemia, insuficiência respiratória), alterações metabólicas (cetoacidose diabética, erros inatos do metabolismo, doença hepática grave, miopatias, infecções, insuficiência renal e hepática, doenças malignas sistêmicas) e exposição a toxinas e drogas como etanol, metanol, etilenoglicol, nitro- prussiato, barbitúricos, biguanidas e salicilatos.

Exercícios extenuantes podem levar a aumentos de sua concentração de 10 a 15 vezes em poucos segundos.

Ocorrem variações de concentração no jejum e no pós-prandial, com elevação após alimentação.

Níveis elevados de ácido lático no líquor são encontrados na meningite bacteriana, ao contrário da meningite viral, onde níveis normais são usualmente encontrados.

O ácido mandélico é um indicador biológico da exposição ocupacional ao estireno e ao etilbenzeno.

O estireno (feniletileno) é um solvente utilizado na produção de polímeros plásticos, borrachas e resinas, sendo neurotóxico e hepatotóxico.

Apresenta metabolismo hepático, tendo como metabólitos principais o ácido mandélico (85%) e fenilglioxílico (10%). A excreção urinária desses metabólitos ocorre em duas etapas: 6 a 7 horas após a exposição e 16 horas após o término da mesma. A relação ácido mandélico/ ácido fenilglioxílico varia com a concentração ambiental do estireno, sendo maior em concentrações mais elevadas deste.

O etilbenzeno é um intermediário químico de alto valor comercial, utilizado extensivamente nas indústrias química, petroquímica e farmacêutica, em diferentes aplicações, tais como solvente na fabricação de tintas e vernizes e como precursor de diversos outros produtos.

O xileno é um hidrocarboneto aromático que produz depressão do Sistema Nervoso Central (SNC) e irrita pele e mucosas. É similar ao tolueno, mas acumula-se preferencialmente no cérebro e tecido adiposo. O xileno está presente no ambiente em geral, principalmente pela emissão de veículos automotores, devido à sua presença na gasolina. O xileno também é utilizado na produção de perfumes, formulações de praguicidas, produtos farmacêuticos e nas indústrias de tinta, de plástico, de borracha e de couro. O ácido metil-hipúrico representa mais de 95% da fração metabolizada do xileno. A determinação do ácido metil-hipúrico urinário é empregada na monitorização biológica de trabalhadores expostos ocupacionalmente ao solvente. Níveis elevados de ácido metil-hipúrico urinário indicam uma exposição ocupacional excessiva ao xileno.

O ácido metilmalônico (MMA) é metabolizado a metilmalonil CoA a partir do catabolismo de determinados aminoácidos e ácidos graxos. A metilmalonil CoA é então convertida a ácido succínico pela enzima metilmalonil CoA mutase tendo a vitamina B12 como cofator. A elevação sérica de MMA pode refletir níveis teciduais reduzidos de vitamina B12, podendo cursar com alterações hematológicas ou neurológicas. Além disso, a acidemia metilmalônica pode ser devida a atividade deficiente da enzima metilmalonil CoA mutase, distúrbio autossômico recessivo que cursa com déficit cognitivo, distúrbios do movimento, osteoporose e insuficiência renal progressiva.

A determinação do ácido oxálico é útil na avaliação da nefrolitíase, da hiperoxalúria primária e da intoxicação sistêmica pelo oxalato e seus sais. Os cálculos de oxalato são comuns no trato urinário e a excreção urinária deste analito é um preditor de nefrolitíase.

A hiperoxalúria é detectável em cerca de 30% dos pacientes com cálculos urinários compostos por oxalato. A dieta e o uso de ácido ascórbico podem alterar os resultados.

Hiperoxalúria pode decorrer de má absorção intestinal, doenças inflamató- rias intestinais, pós-operatórios de bypass intestinal, intoxicação por etileno- glicol e ingestão insuficiente de cálcio. A amostra de urina para dosagem do oxalato não deve ser coletada durante o período de cólica renal..

O oxalato sérico é normalmente derivado do ácido oxálico da dieta e o metabolismo do ácido ascórbico e da glicina. No entanto, ácido oxálico e seus sais estão presentes também em produtos de limpeza e de clareamento. A intoxicação sistêmica é caracterizada por efeitos corrosivos, lesão renal e diminuição dos níveis de cálcio, com choque e convulsões. O oxalato sérico também pode estar aumentado na hiperoxalúria primária, uma alteração genética que resulta em aumento dos níveis sérico e urinário de ácido oxálico.

O ácido trans, trans-mucônico urinário (ATTM) é o biomarcador de exposição adotado pela legislação brasileira para a monitorização da exposição ocupacional ao benzeno. O benzeno, o mais simples dos hidrocarbonetos aromáticos, é obtido da destilação do carvão mineral e do petróleo e apresenta-se como um líquido incolor e lipossolúvel.

O benzeno pode ser absorvido pelas vias cutânea e pulmonar. A biotransformação do benzeno em ácido trans, trans-mucônico atinge seu pico em 5 horas após o início da exposição.

Alguns fatores são capazes de alterar a excreção urinária do ATTM e constituem, portanto, limitações do uso deste metabólito na avaliação da exposição benzênica. São eles: a co- exposição a outros solventes como o tolueno, a dieta (o ATTM é formado na biotransformação do aditivo alimentar sorbital, que pode ser utilizado como umectante em alimentos que necessitam conservar a umidade e edulcorante em bolos, pães, balas, chocolates, sucos, geleias, chicletes e outros confeitos dietéticos), e o tabagismo (o tabaco pode aumentar em até oito vezes a quantidade de ATTM excretado na urina quando comparada à de indivíduos não-fumantes). As principais fontes de exposição ocupacional ao benzeno são siderurgias, indústrias petroquímicas, indústrias químicas, laboratórios de análise química e postos de combustíveis.

Da linha de clorados, o Brasil consome basicamente tricloroetileno, cloreto de metileno e percloroetileno, em aplicações diversas. Em decorrência do uso industrial, tanto o tricloroetileno como o percloroetileno encontram-se amplamente distribuídos nos diferentes compartimentos do meio ambiente, e são detectados em água de chuva, águas superficiais e subterrâneas e alimentos, possíveis fontes de exposição para a população geral. As principais vias de introdução na exposição ocupacional são a pulmonar e a dérmica. Após sua rápida absorção, esses toxicantes são distribuídos particularmente para o fígado, rim, sistema cardiovascular, Sistema Nervoso Central e tecido adiposo. Tricloroetano, tricloroetileno e percloroetileno apresentam o ácido tricloracético (TCA) como produto de biotransformação comum, o qual pode ser utilizado como indicador biológico de dose interna na exposição a estes compostos.

Sangue

O ácido úrico é o produto final do metabolismo das purinas. A hiperuricemia, definida como concentração de ácido úrico acima de 7,0 mg/dL em homens e 6,0 mg/dL em mulheres, é um fator de risco para o desenvolvimento de gota. Pode ser causada ou pelo aumento da síntese ou pela redução da excreção renal de ácido úrico. As causas primárias associadas com hiperprodução podem ser idiopáticas ou vinculadas a erros inatos do metabolismo. As causas secundárias devem-se ao aumento da ingestão de alimentos ricos em purina, situações com elevado turnover de ácidos nucleicos (leucemia, mieloma, quimioterapia), psoríase, etilismo, etc. Redução da excreção de ácido úrico pode ser idiopática ou secundária à insuficiência renal crônica, aumento da reabsorção renal, salicilatos e diuréticos tiazídicos. Somente 10% dos pacientes com hiperuricemia desenvolverão gota.

Hipouricemia, definida como concentração de ácido úrico inferior a 2 mg/dL, pode ser encontrada na dieta pobre em purinas e proteínas, tubulopatias renais, porfiria intermitente aguda, uso de medicamentos (tetraciclina, alopurinol, altas doses de aspirina, corticoide, indometa- cina, metotrexato, metildopa, verapamil), doses maciças de vitamina C, intoxicação por metais pesados, dentre outras.

Urina

Cerca de 75% é eliminado pelos rins e 25% pelo intestino. Usualmente realiza-se avaliação da excreção na urina de 24 horas, mantendo-se a dieta habitual. Esta dosagem é útil em pacientes com cálculos urinários para identificação daqueles com excreção urinária de urato aumentada. Álcool causa diminuição do urato urinário, portanto deve-se restringir sua ingestão na avaliação. Aspirina e outros anti-inflamatórios, vitamina C, diuréticos e varfarina podem interferir no resultado.

Líquido sinovial

Deve ser feito em paralelo com a dosagem no sangue. Valores mais baixos que o do sangue, em coleta concomitante à do líquido sinovial, indicam doença inflamatória não gotosa.

O ácido valproico é um anticonvulsivante que também tem sido utilizado no tratamento do transtorno bipolar e na profilaxia da enxaqueca. Sua dosagem é útil na monitorização dos níveis terapêuticos e toxicidade.

Cerca de 90% da droga se liga à albumina, com pico plasmático em 1 a 8 horas e meia vida de 6 a 16 horas. Estado de equilíbrio ocorre após 3 dias de uso do medicamento. Alguns pacientes necessitam de níveis séricos superiores aos valores de referência para o controle das convulsões.

A principal causa de níveis baixos é a não aderência ao tratamento. Seu metabolismo é hepático (95%), sendo que drogas que induzem o citocromo P-450, como carbamazepina, fenitoína, fenobarbital e primidona, reduzem seus níveis .O ácido valproico aumenta os níveis de lamotrigina e fenobarbital. Valores acima de 200 mcg/mL são considera- dos tóxicos. Pacientes com hipoalbuminemia podem apresentar sinais de toxicidade mesmo com níveis normais.

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